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Custo da construção sobe ao maior patamar desde 2022 — e sua planilha de obra já sabe disso?

RNGomes Engenharia20 de agosto de 20266 min de leitura
Custo da construção sobe ao maior patamar desde 2022 — e sua planilha de obra já sabe disso?

Resposta rápida: O custo da construção no Brasil atingiu em junho de 2026 a maior alta mensal desde agosto de 2022: o SINAPI subiu 1,19% no mês e acumula 7,26% em 12 meses, contra 6,93% nos doze meses anteriores. O motor da aceleração é a mão de obra, que sobe 9,59% em 12 meses enquanto os materiais avançam 5,54% — quase o dobro. Na prática, um estudo de viabilidade fechado no início do ano, com premissas salariais desatualizadas, já nasceu defasado. Antes de lançar, o orçamento precisa ser testado contra esse cenário, e não apenas contra a intenção original do projeto.

 

 

O que os índices mostram sobre o custo da construção em 2026?

 

O SINAPI, apurado pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal, registrou variação de 1,19% em junho de 2026 — o maior avanço mensal desde agosto de 2022. O custo nacional da construção por metro quadrado passou de R$ 1.953,08 em maio para R$ 1.976,37 em junho, sendo R$ 1.114,74 de materiais e R$ 861,63 de mão de obra. Em 12 meses, o índice acumula 7,26%, acima dos 6,93% do período imediatamente anterior.

O INCC-M, da Fundação Getulio Vargas, conta a mesma história por outro ângulo: alta de 0,62% em julho de 2026, desacelerando frente aos 0,85% de junho, com 6,40% acumulados em 12 meses. E o CUB paulista, do Sinduscon-SP, fechou julho em 0,45% após as maiores altas do ano em maio (1,24%) e junho (2,24%), acumulando 5,06% no ano e 6,23% em 12 meses. O CUB representativo da construção paulista, padrão R8-N, foi apurado em R$ 2.231,37/m² em julho de 2026.

Três índices, três metodologias, uma mesma leitura: o custo de construir subiu de patamar em 2026, e a desaceleração de julho não devolve o terreno perdido nos meses anteriores. Quem lê apenas a variação do último mês tende a concluir que a pressão passou. Quem lê o acumulado percebe que o novo piso de custo já está incorporado.

 

 

Por que a mão de obra sobe quase o dobro dos materiais?

 

A abertura do SINAPI é explícita: em 12 meses, materiais acumulam 5,54% e mão de obra, 9,59%. Três fatores explicam a diferença:

  • Reoneração da folha de pagamento das construtoras, que em 2026 chega a 10% e incide diretamente sobre o custo do trabalho;
  • Reajuste do salário mínimo, que reposiciona a base de encargos e a remuneração das funções de menor qualificação;
  • Dissídios coletivos negociados estado a estado, cada um com sua data-base própria.

O terceiro fator é o mais traiçoeiro para quem orça. Os reajustes não se distribuem pelo ano: eles se concentram em janelas específicas. O CUB paulista demonstra isso com clareza — 2,24% em junho e apenas 0,45% em julho. Em Minas Gerais, o custo da construção acumula 8,25% em 2026, com a mão de obra avançando 12,84%, patamar bem acima da média nacional. Um mesmo empreendimento, com o mesmo projeto, tem estrutura de custo diferente conforme o estado e o mês em que o orçamento foi congelado.

 

 

O que isso muda no seu estudo de viabilidade?

 

Um estudo de viabilidade técnica e econômica é, na essência, uma aposta sobre custos futuros. Se a premissa de mão de obra foi calculada num mês de estabilidade do índice e o dissídio da região caiu dois meses depois, a margem projetada já está comprometida antes da primeira concretagem — e ninguém percebe, porque a planilha continua fechando.

Os erros mais comuns que encontramos em estudos trazidos para revisão:

  • Usar a variação do mês corrente como proxy de tendência, ignorando o acumulado em 12 meses;
  • Aplicar um índice nacional a um empreendimento cuja mão de obra é contratada sob convenção coletiva regional específica;
  • Não cruzar o cronograma físico-financeiro com o calendário de datas-base dos sindicatos da região;
  • Tratar materiais e mão de obra como um bloco único de custo, quando a divergência entre eles já passa de quatro pontos percentuais em 12 meses.

A correção não exige refazer o estudo do zero. Exige testar o orçamento sob cenários: o que acontece com a margem se a mão de obra subir mais 5% durante a execução? E se o dissídio da região vier acima da média nacional, como ocorreu em Minas Gerais?

 

 

Quadro-resumo: indicadores de custo da construção em 2026

 

IndicadorReferênciaResultadoSINAPI (IBGE/Caixa) — índiceJunho/2026 — mês+1,19% (maior alta desde ago/2022)SINAPI — acumulado12 meses+7,26% (ante 6,93% no período anterior)SINAPI — componentes12 mesesMateriais +5,54% · Mão de obra +9,59%SINAPI — custo por m²Junho/2026R$ 1.976,37 (materiais R$ 1.114,74 · mão de obra R$ 861,63)INCC-M (FGV)Julho/2026+0,62% no mês · +6,40% em 12 mesesCUB paulista (Sinduscon-SP)Julho/2026+0,45% no mês · +6,23% em 12 meses · R8-N a R$ 2.231,37/m²

 

 

Como a RNGOMES Engenharia entra nesse processo

 

Na RNGOMES Engenharia, o estudo de viabilidade técnica e econômica não é uma fotografia de custos do dia da análise. É um modelo que precisa resistir ao próximo reajuste — e a decisão de incorporar deve ser tomada sabendo qual é a folga real de margem.

O trabalho envolve:

  • Análise de sensibilidade do orçamento a diferentes cenários de reajuste de mão de obra e materiais;
  • Cruzamento do cronograma físico-financeiro com o calendário de dissídios da região do empreendimento;
  • Aderência das premissas aos índices setoriais vigentes (SINAPI, INCC-M e CUB regional), com revisão periódica;
  • Leitura integrada com o processo de incorporação imobiliária — da viabilidade ao registro no cartório de imóveis.

O resultado é um estudo que sustenta a decisão de lançamento com números defensáveis, e não com uma expectativa otimista de custo.

 

 

Perguntas frequentes

 

Qual índice devo usar para orçar minha obra: SINAPI, INCC-M ou CUB?

Depende da finalidade. O SINAPI é referência para obras públicas e composições de custo unitário; o INCC-M costuma reajustar contratos durante a fase de obra; o CUB é a referência regional de custo por metro quadrado para os padrões construtivos definidos pela ABNT NBR 12.721.

Por que a mão de obra sobe mais que os materiais?

Em 2026, pela combinação de reoneração da folha das construtoras, reajuste do salário mínimo e dissídios coletivos concentrados em datas-base específicas de cada estado — o que gera saltos pontuais em vez de alta distribuída ao longo do ano.

Um estudo de viabilidade feito há seis meses ainda é confiável?

Depende das premissas. Se o estudo não incorporou cenários de reajuste de mão de obra nem o dissídio da região, a margem projetada pode estar defasada frente ao custo real de execução.

Com que frequência revisar as premissas de custo?

A cada 3 a 6 meses, ou sempre que houver divulgação de novos índices setoriais relevantes e após os dissídios coletivos da região do empreendimento.

 

 

Revise as premissas antes de lançar o próximo empreendimento

 

Se o seu estudo de viabilidade ainda não considerou a aceleração do custo de mão de obra em 2026, o momento de revisar é antes do lançamento — não depois da primeira medição acima do orçado. A RNGOMES Engenharia estrutura estudos de viabilidade técnica e econômica com cenários de custo atualizados, sensibilidade a reajustes salariais e leitura regional dos índices. Chame no WhatsApp

Conteúdo produzido pela RNGOMES Engenharia com base em dados públicos do SINAPI (IBGE/Caixa), INCC-M (FGV) e CUB (Sinduscon-SP e Sinduscon-MG). As informações têm caráter informativo, baseiam-se em fontes públicas e não constituem recomendação de investimento ou garantia de resultado financeiro.